DUALISMO
 
O espírito sofre na longa espera, mas o futuro lhe pertence. A matéria é tenaz em sua opressão, mas como filha do passado fenece com este. O homem atual oscila entre as duas fases contíguas, num dualismo de formas de vida que evidencia o transformismo ascendente, dualismo que observamos em todos os valores humanos e que agora volvemos a encontrar no homem. Apresenta-se-nos, assim, uma duplicidade de organismos em um único ser, conexos e distintos ao mesmo tempo, juntos mas não fundidos, distanciados por uma rivalidade que é uma guerra sem quartel para conquistar todo o campo da vida; corpo e alma, matéria e espírito, os quais, assim como a força e a justiça, a dor e o prazer, o mal e o bem, somente representam, no caminho da evolução, o passado e o futuro. Nada importa se a existência do espírito, essência destilada de todas as experiências da vida, que tudo compendia e conserva eternamente, por ser uma entidade sutil e impalpável, foi negada. Não importa tampouco se, em muitos casos, a alma silencia, pois o seu componente físico é débil. Para outros, ela é uma realidade contínua, evidente, indiscutível; se não é ainda possível, para a sua demonstração, executar uma exata anatomia espiritual, é devido tão-somente a falta de meios sutis de investigação. Quem busca provas racionais para encontrar a alma atesta a sua própria involução. A alma, como Deus, não se demonstra; é sentida e é alcançada dentro de nós mesmos por intuição e não por um esforço exterior de raciocínio.

FRAGMENTOS DE PENSAMENTO E DE PAIXÃO
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