O PODER DO ALTO
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O encontro entre evolvido e involuído apresenta significação profunda e deve ser estudada cada vez melhor; pode iluminar e completar os postulados da biologia moderna, especialmente no seu aspecto evolucionista, em relação aos futuros desenvolvimentos da vida. Não se trata apenas do choque entre dois biótipos, mas de dois planos biológicos e das duas leis que os regem. Esse estudo se torna interessante não somente para orientação individual e social, mas para a ciência, porque nos conduz à concepção de uma biologia mais ampla, abarcando não apenas a atual, a animalidade e a humanidade, mas a sua futura espiritualidade; uma biologia compreensiva também dos valores morais, que pode assumir a tarefa excelsa de construir uma ética biológica, racional e positiva, da qual o mundo ressente a falta e de que tem necessidade para resolver muitos problemas até agora insolúveis, hoje abandonados, no instinto das massas. Com este estudo enfrentamos, além da biologia já conhecida, uma outra biologia, a do evolvido, com outras leis e finalidades. Chegamos, assim, a conhecer uma amplíssima biologia, no sentido de ser, não a de um só plano de vida, estática e fechada no âmbito de um único plano de evolução, mas dinâmica, em movimento, uma biologia em evolução, da qual a nossa atual é apenas uma fase existente em função das precedentes e das subsequentes. A ciência se ocupou muito, até agora, do passado da vida em nosso planeta e pouco do seu futuro, que, sem dúvida, é deveras importante para o homem. Quando falamos do evolvido, da sua psicologia e métodos de ação, tratamos precisamente deste futuro e isto porque, no amanhã, o homem deverá ser um evolvido, ingressando neste mais elevado plano biológico, para agir com outra psicologia e com outros métodos. O homem prático poderá sorrir com ceticismo, mas quando falamos de ideais, tratamos do que deverá vir a ser amanhã, uma vez que o progresso é lei de vida e ninguém poderá parar a evolução.
O ser situado em nosso plano biológico, o da animalidade, não sabe perguntar se, no lugar da lei da luta pela vida e pela seleção do mais forte, há possibilidade de usar outras leis menos duras; se, em vez de agir com o método do egocentrismo separatista que nos torna rivais, em guerra, não é possível funcionar com o de um altruísmo unificador que nos torne todos amigos, em paz. Logo, pode-se afirmar que o sistema em vigor não é o ideal. Quanto mal, quantas injustiças, quanto veneno de ódio, quantos aleijados e desesperados produz este sistema de luta pela seleção do mais forte, quantas reações ferozes por parte da vida que não quer morrer! Quão diversas condições de vida poderia gozar o mundo se a cada um estivesse garantido o que lhe é indispensável material e espiritualmente para viver, se a vida não estivesse obrigada a esta luta e, por força da vitória do mais forte, a tantas reações desesperadas! A vida exalta o mais forte, mas, nem por isto, aceita morrer no mais fraco; adapta-se a sofrer em escravidão sob o tacão do vencedor, apenas temporariamente, à espera da ocasião oportuna para rebelar-se. A vitória do mais forte não é vitória, é apenas um meio para incitar os mais fracos a se fortificarem em agressividade e ferocidade, para fazer a guerra e destruí-lo, substituindo-o. Naturalmente, desta luta, surgirão outros vencidos a continuarem o jogo da revolta para destruir o vencedor, colocando novo substituto em seu lugar, assim por diante.

A Grande Batalha
PIETRO UBALDI EDITORA - Telefax (22)2722-2266
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