O DESENVOLVIMENTO DA
CONSCIÊNCIA
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O estado de iluminação espiritual se chega por graus, à proporção que se evolui. Mas, é lógico que, junto com o lado positivo do fenômeno, exista também o lado negativo. O que o ser ganha do lado espiritual, deve perdê-lo do lado material. Essa expansão do “eu”, esse reviver numa forma tão desusada, confere-lhe uma sensação de perturbação. A personalidade, habituada a sentir-se definida, sustentada e quase constituída pelas paredes de sua prisão, sente-se perdida num infinito sem pontos de referência demarcados no limite. Mudando a própria forma de consciência, perdendo o próprio tipo de “eu” como individuação separada, o ser tem a sensação de desintegrar-se nessa descentralização, que se opõe à sua precedente psicologia na qual era o centro e baseava toda a sua potência vital. Ao expandir-se, sente como evaporar-se. O ser se acha tão expandido que não se reconhece mais, parecendo-lhe não ser mais o mesmo. Isto produz nele uma desorientação, um sentido de dispersão e anulação. Para não morrer, torna a agarrar-se ao velho mundo relativo de antes. Esta é uma fase de luta e de contrastes, donde derivam os distúrbios dos quais já falamos.
O que acontece, então? O “eu” não morre, de maneira nenhuma. Mesmo se o momento da passagem lhe pode dar a sensação de seu fim (os místicos chamam a noite escura da alma), superado o momento crítico do fenômeno, o “eu” torna a se achar mais vivo do que antes, mas numa forma diversa. Esta passagem recorda a superação da barreira ultrassônica, para as grandes velocidades. Momento perigoso, porque, muitas vezes, o inconsciente continua a agredir, embora também protegido pela sabedoria das leis da vida. Momento em que se passa do modo de conceber racional ao intuitivo. Então, a personalidade explode, de sua forma de ser isolado no todo, para começar a viver num estado de liberdade ilimitada, como cidadão do todo, numa sua nova casa, imensa, que é o universo. O ser se acha perturbado porque a forma de existir que lhe era própria, e acreditava fosse a única possível, agora lhe vem a faltar. Tudo isso o enche de uma angústia de morte. Mas depois desperta, achando-se mais amplo e poderoso, não mais identificado com o seu “eu” pequeno, mas com o todo, capaz de saber viver não apenas em si mesmo mas em todas as coisas, enquanto todas as coisas podem viver nele. Desperta diante do inimaginável, do inconcebível, diante de uma perspectiva nova que lhe dá vertigens.
Sem dúvida, o homem faz, do seu universo, um conceito derivado do ponto de vista alcançado do seu plano evolutivo. Tanto é verdade que, com o progresso humano, mudam sempre os aspectos da verdade. O fato de estarmos inexoravelmente imersos no relativo, faz-nos pensar ser possível conceber tudo em numerosas outras maneiras diferentes, e admitir a possibilidade de, além da forma mental lógica, haver a intuitiva ou outras. A evolução pode transformar tudo, inclusive as nossas capacidades de conhecimento, e não podemos imaginar a que conceitos e modos de conceber novos planos possa levar-nos o amadurecimento evolutivo. Caminhamos numa estrada em ascensão e não sabemos que perspectivas poderá ela dar-nos amanhã. E conosco caminha também todo o universo, num transformismo contínuo.

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