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AUTO
AFIRMAÇÃO |
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Durante dez
anos sua vida foi uma festa de criação, uma contínua
exuberância de espiritualidade, uma intensa alegria de viver, bem
fazendo e subindo, na mais profunda realização de si mesmo.
Ele se harmonizara com o Criador e todos os seus atos eram um hino de
gratidão ao Criador. Sua existência tornara-se um fervor
contínuo de concepção e esta era a sua maior sensação
da alegria de viver. Ele, que jamais pudera encontrar a alegria no plano
humano, encontrava-a finalmente no plano do espírito para onde
se transferira o centro de sua vida. Tudo isso representava para ele,
em verdade, uma existência nova, plena de novas satisfações.
Gozava dessa sensação de liberdade e de domínio que
só o vôo pode dar e que os répteis não admitirão
jamais como coisa possível. Parecia-lhe possuir novos sentidos,
sentidos da alma, pelos quais esta podia, finalmente, revelar-se, agora
que a sua casca corpórea, macerada pela dor, tornara-se mais transparente.
O seu ser sentia-se como mergulhado num oceano esplendente e vibrante
onde ele se multiplicava e se expandia, onde a sua consciência podia
agora transpor os limites impostos à natureza humana - os limites
do espaço e do tempo. Ele, que desde menino a julgara inaceitável
e sufocante, sentia que encontrara, agora, as verdadeiras dimensões
do próprio ser, que chegavam ao infinito, e da sua verdadeira natureza
livre, que estava no espírito. Assim, intensa de embriaguez, foi
essa alegria que lhe pareceu quase uma orgia - a orgia da superação
e da evasão que existe na velocidade; a orgia de liberdade e de
luz a que se entrega o prisioneiro finalmente liberto do cárcere
estreito e escuro. |
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História de um Homem |
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PIETRO
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