AMOR
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Se o amor no mundo animal é função quase exclusivamente orgânica, no homem, enriquecido pela evolução de novas faculdades, adquire qualidades de ordem nervosa e psíquica. O fenômeno do amor complica-se; à função animal, que biologicamente foi a principal, se sobrepõe, como um crescimento ou uma incrustração, um feixe de funções novas que transformam todo o fenômeno, tornando a sua estrutura mais completa, e como sempre acontece na evolução, ampliam seu campo de ação. Para maiores poderes, porém, maiores perigos, o que os seres menos evoluídos ignoram. Observando, neste campo, as correntes que a evolução abre dentro da massa humana, vemos hoje a tendência no amor para aperfeiçoar-se e sensibilizar-se, tendência que, aspirando a outra forma de superamor espiritual, oferece, simultaneamente, o perigo de perder-se em degradação neurótica, em erotismo sexual. A humanidade encontra-se defronte do dilema: ou bem materializar, mais do que elevar, o amor, caindo em formas de prazer nervoso mais intenso, porém de baixo erotismo antivital, ou bem dominar a sua paixão e guiá-la, orientando a evolução para as formas de amor espiritual do super-homem.
Observemos, entretanto, na evolução do amor, as sucessivas aproximações do superamento realizado pelo explorador do supranormal. Esta concepção do amor divino como sentimento limítrofe, derivado, por evolução, do amor humano, dá-nos a explicação lógica da sua origem. O fenômeno psicológico, que existiu e pode existir, adquire uma base racional, de outro modo inexistente. O amor divino proveio – como em todo o fenômeno – por continuidade, do amor humano, ao qual é afim, e conseguiu, através de sucessivas provas e elevações que somente demoliram a sua parte mais involuta, aperfeiçoar-se e purificar-se.

Fragmentos de Pensamento e de Paixão..

PIETRO UBALDI EDITORA - Telefax (22)2722-2266
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